Belmiro de Almeida

Belmiro de Almeida
Belmiro de Almeida

Belmiro Barbosa de Almeida

Serro MG 1858 - Paris França 1935

Pintor, desenhista, caricaturista, escultor, professor e escritor.

Frequenta o Liceu de Artes e Ofícios e a Academia Imperial de Belas Artes - Aiba, entre 1869 e 1880, no Rio de Janeiro, onde estuda com Agostinho da Motta, Zeferino da Costa e José Maria de Medeiros. Em 1878, estuda com Henrique Bernardelli e Rodolfo Amoedo no Ateliê Livre. Leciona desenho no Liceu de Artes e Ofícios, de 1879 a 1883, e na Escola Nacional de Belas Artes - Enba, de 1893 a 1896. A partir de 1884, passa a viver entre Paris e Rio de Janeiro. A primeira viagem a Paris, em 1884, resulta num redirecionamento estético em seu trabalho, conseqüência do estudo e contato com obras de artistas e intelectuais que renovaram a arte do período: Édouard Manet e Edgar Degas na pintura e Gustave Flaubert e Émile Zola na literatura. Em sua segunda estada na capital francesa, iniciada em 1888, entra em contato com Georges Seurat na Ecole Nationale Supérieure dês Beaux-Arts [Escola Nacional Superior de Belas Artes] e estuda pintura com Jules Joseph Lefebvre e B. Constant et Pelez, aproximando-se de vertentes pós-impressionistas. No Rio de Janeiro, trabalha como caricaturista em diversas revistas, como Comédia Popular, Diabo a Quatro, A Cigarra, Bruxa e O Malho. Funda os periódicos Rataplan e João Minhoca, entre 1886 e 1901. É um dos criadores do Salão dos Humoristas, em 1914, e membro do Conselho Superior de Belas Artes, de 1915 a 1925.

Belmiro de Almeida ingressa na Academia Imperial de Belas Artes - Aiba, em 1874. Entre 1884 e 1885, com recursos próprios, viaja para Paris, onde toma contato com novas tendências da pintura. É atraído pelas idéias realistas dos escritores Émile Zola e Gustave Flaubert. No campo das artes, interessa-se por Édouard Manet e Edgar Degas.

Em 1887, expõe Arrufos, sua tela mais conhecida, que se destaca pela rigorosa fatura e pelo tom de leve ironia com o qual a cena é retratada. Em 1888, o crítico Gonzaga Duque, que segundo alguns historiadores estaria retratado nesse quadro, destaca a importância da obra, pela visão moderna do artista: "Ainda no Rio de Janeiro não se fez um quadro tão importante como é este".1 O pintor inova ao abordar um tema relacionado à vida cotidiana, com enfoque realista. Atuando na passagem do século XIX para o século XX, empreende uma pintura nova ao deixar de lado os temas da pintura histórica para se ocupar de assuntos mais prosaicos da sociedade contemporânea. O crítico também elogia a técnica de Belmiro: "As tintas são claras e simpáticas, os toques são rápidos, largos e bem lançados. Nenhuma pretensão a empastamento, nenhuma pretensão a mancha descurada, se notam neste trabalho. O toque é sempre apropriado".2 Belmiro exibe assim, provocativamente, suas qualidades de pintor.

O historiador Reis Júnior destaca a relação difícil entre o artista, de espírito inconformado, e o meio em que vive: a ausência de respaldo às novas tendências na arte leva-o a não abandonar definitivamente os trabalhos mais conservadores, capazes de garantir-lhe a sobrevivência.

Belmiro de Almeida revela, ao longo de sua carreira grande ecletismo: experimenta constantemente novas técnicas, às quais alia a interpretação pessoal e a maestria na fatura das obras. Paralelamente à carreira de pintor, tem uma importante atividade como caricaturista, à qual deve boa parte de seu prestígio, trabalhando em importantes jornais e revistas da época: O Malho, Diabo a Quatro e A Cigarra, entre outros, e fundando O Rataplan (1886) e João Minhoca (1901). Manifesta na caricatura o interesse por assuntos sociais, representa os contratempos do cotidiano, no trabalho e no lazer, em charges cáusticas. Artista de espírito polêmico e inconformado, sua obra tem caráter inovador no panorama das artes brasileiras.

 

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