Wega Nery

Wega Nery

Wega Nery é filha de Ottilia e Leôncio Nery e bisneta do Barão de Vila Maria, Joaquim Gomes da Silva. Após passar os primeiros anos de vida em fazendas do Pantanal, a família muda-se para Bauru e Wega é enviada a São Paulo, onde estuda no Colégio Sion. No início da década de 1930, conclui o curso ginasial e estuda psicologia, pedagogia e didática para equiparar-se às normalistas. Após os exames, torna-se professora e depois é nomeada inspetora federal de ensino. Nesse período, retoma o hábito de desenhar e pintar de forma autodidata.

Simultaneamente, escreve e publica poesias na revista carioca O Malho (Parnaso Feminino), com o pseudônimo de Vera Nunes, em 1932. Em 1946, matricula-se na Escola de Belas Artes, em São Paulo, onde estuda com Theodoro Braga e Joaquim da Rocha Ferreira. Começa a freqüentar o meio artístico paulistano e participa de sua primeira exposição, a Coletiva da Associação Paulista de Belas Artes. Contudo, foi a opinião de um consagrado crítico que deu o empurrão definitivo para colocar a arte em primeiro plano. "Resolvi levar um dia alguns desenhos e também minhas poesias para que Sérgio Milliet os visse. Perguntei qual caminho ele achava que eu deveria seguir. Ele respondeu que eu transmitia mais pelos desenhos do que pelas poesias. Daí em diante, abandonei a literatura e fiquei só com a pintura. Não senti falta da poesia porque a pintura, para mim, tem muito de poesia e muito de música", dizia Wega.

Em 1950, ganha a medalha de bronze no Salão Nacional de Belas Artes. A convite da também pintora Alzira Pecorari, entra para o Grupo Guanabara, reunido em torno de Yoshiya Takaoka (1909-1978) e que contava com Arcângelo Ianelli, Ismênia Coaracy e os japoneses Manabu Mabe (1924-1997) e Fukushima, entre outros. Após um período com o Grupo Guanabara, Wega aproxima-se do Atelier Abstração, de Samson Flexor (1907-1971), pintor de origem franco-romena, diplomado em Paris. Em seis décadas entre cavaletes e telas, Wega participou de 12 Bienais de Arte de São Paulo. Com destaque para a edição de 1957 quando, por uma exigência do crítico alemão Ludwig Grote, diretor do Museu de Nuremberg, arrebatou o prêmio de Melhor Desenhista, dividindo-o com o artista plástico Fernando Lemos. Na Bienal de 63, recebeu o prêmio de Aquisição Nacional.

Depois, foi homenageada com seis salas especiais em outras edições da Bienal. A primeira individual ocorreu no Masp em 1955. Seguiram-se inúmeras exposições individuais e coletivas. Além do Brasil, levou sua arte para Argentina, Uruguai, Estados Unidos, México, Alemanha, França e Inglaterra. Tem obras no acervo dos principais museus do Brasil, como o Museu de Arte de São Paulo (Masp), o Museu de Arte Contemporânea (MAC) de SP, o Museu de Niterói (RJ) e também na sede da Organização dos Estados Americanos (OEA), em Washington. Possui obras nas embaixadas do Brasil em Washington (EUA) e Berlim (Alemanha), prefeituras e importantes coleções corporativas e particulares. No início da década de 70, ao lado do companheiro Geraldo Ferraz, crítico de arte e escritor, estabelece-se no Guarujá, cidade litorânea de São Paulo, onde constrói uma casa na Praia de Pernambuco. Com arquitetura assinada pelo ucraniano Gregori Warchavchik (1896-1971), a casa é batizada de Ilha Verde, em alusão a um dos livros do escritor francês Victor Hugo (1802-1885). É o local onde Wega produziu boa parte de seus trabalhos e onde, atualmente, funciona o Centro Cultural Wega Nery, incluído em roteiro turístico-cultural da Prefeitura de Guarujá.

Sua arte foi tema de artigos de críticos como Sérgio Milliet (1898-1966), Vilém Flusser (1920-1991), Leo Gilson Ribeiro, Jacob Klintowitz e Radha Abramo, entre outros.

Em 1984, realizou retrospectiva no Museu de Arte de São Paulo a convite de Pietro Maria Bardi. Em 1994, o Centro Cultural São Paulo realizou uma retrospectiva em homenagem aos oitenta anos da artista.

Wega Nery faleceu por falência múltipla dos órgãos, aos 95 anos de idade.

 

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