O Abaporu é um símbolo do movimento antropófago e também é um símbolo da arte modernista brasileira como um todo. A obra ainda gera reflexão sobre a identidade nacional, temática tão cara aos modernistas por Tarsila do Amaral.
O quadro é uma das principais atrações do Museu de Arte Latinoamericano de Buenos Aires, o Malba. Localizado em Palermo Chico, o museu concentra a principal coleção de arte latinoamericana do mundo.
Pintada em 1928, a tela foi adquirida em 1995, num leilão da Christie’s, em Nova York, pelo colecionador argentino Eduardo Costantini.
Vendido por US$ 1,35 milhão, o quadro obteve o maior lance da noite e se tornou a primeira obra de arte brasileira comercializado por mais de US$ 1 milhão. Na época, inclusive, o colecionador foi criticado por adquiri-la a custo elevadíssimo.
Dezesseis anos depois, o valor subiu 2.800%, ou seja, US$ 40 milhões. Atualmente fala-se em mais de US$ 1 bilhão.
Embora culpem a Argentina por “tirar a tela brasileira mais importante de nossas terras”, Raul Forbes, seu antigo dono, diz que brasileiros esnobaram o quadro. Ele havia comprado a obra-prima em 1984, por US$ 250 mil. Em 1995, com problemas financeiros, decidiu vender. Segundo ele, a saída foi colocar o quadro em um leilão fora do Brasil.
O Conselho de Defesa do Patrimônio Histórico, Artístico e Cultural do Estado de São Paulo se recusou a liberar documentos para que o quadro saísse do país. Queria tombá-lo, mas não conseguiu. E foi aí que os valores de tudo produzido por Tarsila explodiram.
O Abaporu é hoje daquelas obras que, de tão valiosas, não têm mais preço. Em 2011, a então presidente Dilma Rousseff perguntou ao argentino Costantini quanto custaria repatriar a obra. Ele falou em US$ 200 milhões e a conversa terminou ali.
fonte: metropoles